2015 foi quente. 2016 pode ser quente. 2100 dependerá de nós! (Mariana Sardinha)

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) o ano de 2015 foi o mais quente desde 1880 (o primeiro ano em que há registos).

No ano passado a temperatura média à superfície da terra foi 1,33ºC acima da média do século XX, e a temperatura média à superfície do mar foi 0,74ºC, acima da média do século XX. Em conjunto, a temperatura à superfície da terra e dos oceanos foi 0,90ºC acima da média do século XX (13,9ºC). Segundo a mesma publicação, as temperaturas registadas em 2015 foram influenciadas não só pelas emissões antropogénicas mas também pelo fenómeno El Niño. Até à data, 15 dos 16 anos mais quentes registados ocorreram durante o século XXI. Em média, a temperatura anual cresceu a uma taxa de 0,17ºC por década desde 1970.

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Segundo Petteri Taalas, o Secretário Geral da organização meteorológica mundial (WMO),  “o efeito conjunto do El Niño e o aquecimento global causado pela emissão antropogénica de gases com efeito de estufa juntaram-se e causaram efeitos dramáticos no sistema climático em 2015”, e segundo a mesma fonte “o El Niño irá perder a força nos próximos meses mas os impactes causados pelas alterações climáticas vão continuar por muitas décadas”.

Na Europa tivemos o segundo ano mais quente, depois do recordista 2014. Por cá, e segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, tivemos o segundo dezembro mais quente desde 1931 (depois de 1989), com uma temperatura média do ar de 11,8ºC. Tendo em conta todo o ano 2015, o valor médio de temperatura do ar foi de 15,99ºC, o sétimo mais quente desde 1931 e o segundo mais quente desde 2000.

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Preocupante não?

Depois da COP21 estes dados vêm reforçar a ideia de que é preciso agir já! Apesar destas variações de temperatura nos parecerem insignificantes (o que são 0,9ºC no nosso dia-a-dia?), e por vezes até brincarmos com este “novo clima” (quem não gosta de ir à praia em Maio?), ao nível do equilíbrio do nosso planeta é altamente importante evitar que a temperatura à superfície da terra aumente acima dos 2ºC. Se por um lado não podemos controlar fenómenos naturais como o El Niño, por outro devemos mudar hábitos diários para evitar que a temperatura à superfície da terra continue a aumentar. Porque não começar já hoje? Quer saber 11 formas simples de o fazer? Aproveite e espreite esta iniciativa (c40). Veja como há cidades de todo o mundo envolvidas nesta causa!

Mariana Sardinha

 

Fontes:

NOAA National Centers for Environmental Information, State of the Climate: Global Analysis for Annual 2015, published online January 2016, retrieved on January 26, 2016 from http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/201513.

IPMA

https://www.wmo.int/media/content/2015-hottest-year-record

http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/service/global/map-percentile-mntp/201501-201512.gif