Ação já!

Evento da Presidência da COP 23 – Conferência das Nações Unidas para as alterações climáticas “Policy coherence and Joint delivery: UN System’s support to low-emission and climate resilient development at the national level”, 15 de novembro de 2017, 10:00.

A Get2C esteve presente no evento organizado pela presidência da COP 23 (Conference of the Parties) esta manhã, em Bona, onde teve a oportunidade de ouvir entre outros, o Secretário das Nações Unidas, António Guterres e a Secretária Executiva da UNFCCC, Patrícia Espinosa sobre a necessidade de unir esforços entre várias agências das Nações Unidas no combate às alterações climáticas e também na urgência da tomada de ações concretas e imediatas.

Sobre o primeiro tema a mensagem foi consensual, na medida em que apenas a ação coordenada entre os vários atores e stakeholders permitirá atingir o sucesso nesta cruzada contra as alterações climáticas. Muitos têm sido os eventos apresentados durante a COP 23 que demonstram que o caminho está a ser traçado e que existem parcerias de sucesso entre vários players. A título de exemplo, uma interessante iniciativa que pretende unir investidores com menor aversão ao risco e empresas com soluções inovadoras foi ontem lançada a World Alliance for Efficient Solutions. Esta iniciativa pretende, até à COP24, selecionar 1000 projetos promissores que façam a diferença na ação climática. Num campo mais institucional, as próprias Nações Unidas estão a passar um processo de transformação interna que permitirá ´organizar a casa´ e ser mais eficiente na sua atuação, questão que o próprio António Guterres evidenciou no seu discurso “All the capacities of UN need to be put together”. A mesma opinião tem Agnes Leina Ntikaampi, fundadora e diretora da organização que pretende contribuir para a preservação dos direitos humanos e de desenvolvimento de meninas e mulheres no Quénia, Il’laramatak Community Concerns. Durante a sua intervenção indicou como prioridade, decorrente da sua experiência de campo, a necessidade de ouvir e envolver as comunidades no planeamento das ações climáticas a nível nacional, pois “nothing about us without us”, num espírito de colaboração entre as comunidades beneficiárias, os financiadores, e os responsáveis pelos projetos.

A segunda questão, relativa à urgência da ação climática, tem estado a ser fortemente impulsionada nesta COP pelas delegações dos países menos desenvolvidos, em particular os países insulares, os mais vulneráveis e mais afetados pelas alterações climáticas. A preocupação destes reside no facto de que a sua existência enquanto país ficará altamente comprometida se não for possível evitar o aumento da temperatura à superfície da terra em 1,5ºC como pretende o Acordo de Paris. Sobre este tema ainda, Agnes Leina Ntikaampi demonstrava a sua preocupação sobre a inércia ainda existente da passagem das intenções às ações ”quantas mais COPs e reuniões serão necessárias para passarmos à ação? “.

De facto, o sentimento de insuficiência acaba por ser transversal a vários atores: não só os estados mais vulneráveis se preocupam mas também o próprio Secretário-geral das Nações Unidas, reconheceu que perante a ameaça do aumento dos efeitos das alterações climáticas nos países, o que está a ser feito neste momento não é suficiente para cumprir os objetivos do Acordo de Paris, e em particular reconhece que as Nações Unidas têm que ser leais a todos os povos do mundo e promover maior ambição e ação a curto prazo. No entanto, o maior desafio reside, tal como Patricia Espinosa referiu, na necessidade da transformação de toda uma economia num curto espaço de tempo.

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Mariana Sardinha

Get2C