Descarbonização e a necessidade de novas soluções de mobilidade

Atingir a descarbonização na segunda metade do século necessitará de uma revolução não apenas no sistema elétrico e no fornecimento de energia elétrica. O aumento da motorização previsto a nível mundial não poderá ser feito com base nas mesmas tecnologias que nos acompanham desde o final do século XIX. Ao mesmo tempo, as metrópoles mundiais continuam, mesmo com avanços enormes nas tecnologias de controle de emissões, a registar continuados níveis de poluição atmosférica, com efeitos económicos e sociais insidiosos.

Será possível antecipar o que essa revolução poderá conter? Podemos ter algumas ideias do que ela poderá constar, através de alguns exemplos:

– Mobilidade elétrica: por forma a cumprir mandatos políticos em relação a emissões, as principais marcas começam agora a produzir versões elétricas dos modelos de gama média. A próxima geração de veículos elétricos apresentará já autonomias próximas dos 300 a 400 km, comparáveis à autonomia dos motores de combustão interna (MCI). Alguns exemplos:

– A Tesla, marca de automóveis desportivos topo de gama, irá lançar em 2017 o seu modelo 3, com encomendas firmes já tomadas de 400 000 unidades. Segundo o CEO, o Tesla 3 terá uma autonomia de 400 km e estará disponível por menos de 30.000 dólares;

– A General Motors lançará ainda este ano o Chevy Bolt, com características semelhantes ao Tesla 3;

– Mobilidade autónoma: a Google ultrapassou já o milhão de quilómetros com a sua frota experimental de veículos autónomos, provando a sua capacidade. Ao mesmo tempo, a Uber começa a preparar a possibilidade de oferecer o seu serviços com modelos com condução autónoma.

– Mobilidade-como-serviço: serviços como a Uber, a Cabify ou a Lyft (nos Estados Unidos) continuam a crescer e a colocar em questão a ideia do próprio modelo de propriedade. Ao mesmo tempo, em cidades como Paris, os serviços de partilha de veículos eléctricos e de bicicletas oferecem para dezenas de milhar uma alternativa à propriedade de um veículo

Como construir uma rede de serviços de mobilidade que permita simultaneamente permitir satisfazer as necessidades crescentes de acesso a serviços, ao mesmo tempo reduzindo a necessidade de mobilidade e sobretudo de emissões?

Uma questão crucial para o desafio da descarbonização que vamos também falar no dia 14 de Outubro.

Pedro Martins Barata

CEO

 

Fonte da imagem: http://e-eficienciaenergetica.pt/category/mobilidade-sustentavel/