DIA MUNDIAL DO AMBIENTE (by Conceição Zagalo)

Conceição-Zagalo

Pensar no ambiente não é, em circunstância nenhuma, causa menor. E se o não é a título individual, então coletivamente este é um assunto que tem muito que se lhe diga.

A evolução das gerações e do mundo em que vivemos impõem uma crescente consciencialização sobre o impacto que as questões ambientais têm no quotidiano, é um facto.

Mas, se reconhecemos que muito se tem evoluído ao longo das últimas décadas, também é verdade que a par e passo de gigante com progresso, designadamente o tecnológico, vamos assistindo a um certo laxismo face à forma como tratamos o nosso planeta. Eu diria até, perdoem-me todos os que tanto têm feito para uma maior consciencialização da importância deste tema na sustentabilidade de pessoas e organizações preocupadas com a longevidade do planeta, que continuamos, de certa forma, a alimentar paradoxos. É que, se nos cabe fazer agora o que sabemos ser correto, tendemos a adiar a responsabilidade de se encontrarem formas para colmatar atrocidades que alegremente vamos cometendo.

E é aí que está o busílis.

Será que, por muitos créditos que eu atribua aos fóruns de investigação da geração das minhas filhas, e por muito que eu acredite nos efeitos do sistema educativo no tempo dos meus netos, uns e outros vão ser capazes de neutralizar o impacte dos tamanhos males que no dia a dia estamos a praticar?

Eu sei que isto pode cheirar a palavreado fácil, demagógico ou até pouco maduro. Mas quanto mais assisto às atrocidades que, à pala da evolução industrial, se vão cometendo, e quanto mais vejo dirigentes e nações a demitirem-se das suas responsabilidades sociais e políticas, mais atenta fico às posições que me entram pela porta dentro trazidas por crianças e por jovens que são tudo menos desinteressados. É que, cada vez mais formados num genuíno sentido do dever de cidadania capaz de os fazerem usar recursos que lhe são caros, eles têm noção muito criteriosa de que, por serem cada vez mais preciosos, lhes impõem a moderação capaz de não os fazerem pôr em causa a sustentabilidade das próximas gerações.

É nisto que reside a grande questão, ou seja, na necessária tomada de consciência social que terá que ser por todos nós adotada em modo walk the talk, não vá acontecer sermos atraiçoados pelo nosso próprio facilitismo e nos calhar sofrermos na pele, mais cedo do que julgaríamos, as consequências de desvelos pouco ponderados.

Assim, mais do que nos permitirmos enganarmo-nos ao achar que fazemos lá em casa, nas escolas ou nas empresas o que é tido por correto, cabe-nos, a cada um de nós, a responsabilidade e o enorme compromisso de nos superarmos a cada dia que passa e sermos insaciáveis no nosso propósito de inovar, de envolver, de responder a desafios, de cumprir, de fazer a diferença no nosso ecossistema, entenda-se, no espaço em que todos os dias vivemos e precisamos de respirar.

E aí, sim, estaremos a contribuir para um mundo verdadeiramente melhor e, vamos lá, com assumido egoísmo, a fazer mais em prol do nosso próprio bem-estar, do nosso próprio equilíbrio.

Aqui o meu desafio. Porque dia 5 de junho é dia mundial do ambiente, que tal darmos um voto de confiança às Nações Unidas, e a nós próprios e começarmos, hoje mesmo, uma mudança de atitude que nos permita levar a exercício, por mais pequenas que possam parecer, medidas de preservação desse bem maior?

Nós ficaremos mais felizes, que não se duvide.

E o ambiente… o planeta…  agradecem!

 

Maria da Conceição Zagalo

Presidente da Assembleia Geral do GRACE, em representação da IBM