Estados Unidos, Brasil e China anunciam novos compromissos climáticos (António Vieira)

Na passada terça-feira, dia 30 de junho, alguns dos maiores países emissores de gases com efeito de estufa anunciaram novas metas e planos para redução de emissões e consequente combate às alterações climáticas. Na sequência da visita de Dilma Rousseff a Washington, os Estados Unidos e Brasil anunciaram um compromisso conjunto em obter 20% da sua eletricidade por fontes renováveis até 2030 (não incluindo energia hídrica). Em termos práticos isso representa duplicar a geração de energia provinda deste tipo de tecnologias no Brasil e triplicar no caso norte-americano. Neste mesmo dia, através da submissão oficial do plano de reduções junto das Nações Unidas, a China apresentou as suas novas metas de redução de emissões para 2030, uma redução de 60% – 65% por unidade de PIB relativamente aos níveis de 2005. Estes acontecimentos reafirmam o papel ativo que os grandes países estão a ter em matéria de alterações climáticas, representam um passo político significativo para as negociações internacionais e aumentam a probabilidade de sucesso num acordo global a ser assinado em Paris no final do ano.

Ao mesmo tempo, os compromissos feitos pelos três países reforçam a ideia de que o combate às alterações climáticas será feito de diversas formas e utilizando diferentes instrumentos. O Brasil, para além do compromisso de incremento de energias renováveis, anunciou que pretende restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de floresta até 2030. A China anunciou que pretende até 2030 atingir o seu pico de emissões e tem também como objetivo obter 20% do seu consumo de energia primária através de fontes de energia renovável e nuclear.

São boas notícias? Sem dúvida que sim. Contudo, e de acordo com um recente relatório publicado pela IETA (Energy and Climate Change 2015) ainda insuficientes para evitar o aquecimento de um máximo de 2ºC relativamente aos níveis pós revolução industrial, máximo aceite internacionalmente para impedir as piores consequências das alterações climáticas. A menos de 6 meses da conferência climática em Paris os objetivos climáticos de médio prazo dos principais países estão a ser conhecidos e a base negocial para o acordo internacional estabelecida.

António Vieira (Consultor Sénior – GET2C)

Foto: http://time.com/3941783/china-brazil-usa-climate-change/