Europa – o primeiro continente neutro do ponto de vista climático

Entre 1990 e 2018 a União Europeia viveu um crescimento económico de 61% e diminuiu em 23% as suas emissões de gases com efeito de estufa. Uma redução notória… mas não chega! Apesar da União Europeia contribuir “apenas“ com 10% das emissões mundiais pretende ser líder no combate às alterações climáticas, com emissões líquidas nulas de gases com efeito de estufa em 2050.

A neutralidade carbónica é, defendida por muitos, o novo ideal do nosso continente!

Os fenómenos meteorológicos extremos que já temos vindo a assistir; o aumento da temperatura média e a seca com impacte na agricultura e no agravamento dos incêndios; a perda irreparável de inúmeras espécies; a ameaça de uma subida impactante do nível do mar; a vontade de uma mudança manifestada pelos europeus incluindo as gerações mais novas; um currículo na dianteira da proteção ambiental… e social – terão sido decisivos para a União Europeia rumar para a neutralidade climática.

Relevante terá sido também o compromisso assumido por Ursula von der Leyen no seu programa de candidatura à função de Presidente da Comissão Europeia, papel que assume desde 1/dez/2019: “Quero que a Europa se mostre mais ambiciosa e se torne no primeiro continente com impacto neutro do clima”. No mesmo programa eram elencadas seis grandes ambições, sendo a primeira, a concretização de um Pacto Ecológico Europeu (Green Deal).

O roteiro inicial das principais políticas e medidas associadas ao Green Deal foi objeto de uma Comunicação da Comissão Europeia em 11/dez/2019. O pacto ecológico europeu abrange os vários sectores da economia, alterando os hábitos de produção e consumo, e assenta em três grandes objetivos:

1 – Atingir a neutralidade carbónica em 2050

2 – Melhorar a qualidade de vida (e saúde) dos cidadãos

3 – Proteger o habitat natural.

No anexo do Pacto Ecológico Europeu lançado pela Comissão estão listadas uma série de ações-chave com calendário indicativo de execução. São perto de 50. E algumas previstas para breve. Medidas tão relevantes como as discriminadas abaixo estão planeadas para Março. Um Marçarão.

– Proposta de quadro legislativo geral europeu em matéria de clima que consagra o objetivo de neutralidade climática para 2050;

– Lançamento do pacto europeu para o clima;

– Estratégia industrial da EU;

– Plano de ação para a economia circular, incluindo uma iniciativa em matéria de produtos sustentáveis e uma tónica especial nos setores com utilização intensiva de recursos, como os têxteis, a construção, a eletrónica e os plásticos;

– Estratégia de biodiversidade da União Europeia para 2030.

(  Green Deal: Agenda de Março/2020)

Para atingir a meta climática prevista no Pacto para 2030, que corresponde a uma redução de pelo menos 50% de gases com efeito de estufa comparativamente a 1990, estima-se que seja necessário um investimento suplementar anual de 260 mil milhões de euros. Tal requere a mobilização do sector público e privado! Foi em janeiro apresentado o fundo para uma transição justa que é aplicável a todos os estados-membros da União Europeia ou seja inclui Portugal! Este fundo tem, porém, enfoque nas regiões e setores que mais dependem de combustíveis fósseis; por outras palavras, que serão mais afetados por uma transição. No próximo outono será definida a estratégia renovada de financiamento sustentável.

Estão tomadas as rédeas. Conseguirá a Europa concretizar a neutralidade carbónica em 2050? E o que acontecerá no (resto do) planeta?

Figura – Pacto Ecológico Europeu (fonte: Comissão europeia).

Saiba mais aqui.

Ana Penha  (Manager na Get2C)