Global Risks Report 2016 (Maria João Ramos)

Começou esta semana em Davos, na Suíça, o Fórum Económico Mundial. A propósito deste evento foi lançado, na semana passada, o 11º Global Risks Report 2016. Este ano o relatório indica que um dos principais desafios para a economia mundial serão as alterações climáticas.

O Global Risks Report explorou os riscos globais que são cada vez mais iminentes e materializados em novas e inesperadas formas e que estão afetar a vida dos cidadãos e o funcionamento das instituições e das economias.

Construir resiliência, compreender como é que a segurança internacional pode ser afetada pela quarta revolução industrial e pelas mudanças no clima, aumentar a governação e reforçar a agilidade política é agora mais importante do que olharmos apenas para a mitigação e adaptação. Esta é uma das conclusões do relatório. Perceber como é que a segurança e a tecnologia vão afetar os países, as economias e a vida das pessoas é essencial para construir sustentabilidade, estratégias de crescimento resilientes e sociedades estáveis.

Os riscos globais não são papel para um ator só, é necessário integrar todas as partes interessadas e ter uma acção colaborativa, reconhecer os interesses comuns e alinhar as prioridades chave.

Este estudo pediu a 750 especialistas para considerarem 29 riscos globais, tanto no seu impacto como na probabilidade de acontecerem nos próximos 10 anos, categorizados como sociais, tecnológicos, económicos, ambientais e geopolíticos. As alterações climáticas têm estado, nos últimos 3 anos, no top 5 dos riscos mais impactantes e o fracasso na mitigação e adaptação são entendidos, em 2016, como o risco de maior impacto para os próximos anos, à frente das armas de destruição em massa e das crises no sector da água. Por outro lado, as alterações climáticas são também o risco identificado com maior potencial para ajudar a resolver outros riscos como sejam as referidas crises relacionadas com a água ou a crise dos refugiados porque podem levar à criação de políticas que construam resiliência além de responderem às crises mais imediatas. A migração involuntária em grande escala está também nos cinco primeiros riscos assim como o aumento ou diminuição do preço da energia.

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Os cinco primeiros riscos em termos de probabilidade incluem três ligados às alterações climáticas: eventos climáticos extremos, fracasso na mitigação e adaptação às alterações climáticas e grandes catástrofes naturais.

«Nós sabemos que as alterações climáticas estão a agravar outros riscos, tais como a migração e a segurança, mas estas não são as únicas interconexões que estão a evoluir rapidamente para impactar as sociedades, muitas vezes de forma imprevisível. As medidas de mitigação contra esses riscos são importantes, mas a adaptação é vital», disse Margareta Drzeniek-Hanouz, Chefe de Competitividade e Riscos Globais do Fórum Económico Mundial.

Na apresentação do relatório, Cecilia Reyes, Chief Risk Officer da Zurich Insurance Group, referiu que as alterações climáticas estão agravar mais riscos do que nunca no que diz respeito às crises da água, escassez de alimentos, crescimento económico, coesão social e aumento dos riscos de segurança. Enquanto isso a instabilidade geopolítica está a expor as empresas a projectos cancelados, licenças revogadas, cortes na produção e ativos danificados. Estes desafios políticos tornam o desafio das alterações climáticas ainda mais intransponível porque reduzem o potencial de cooperação política bem como o desvio de recursos e inovação e retiram tempo precioso à prevenção e medidas de resiliência.

Os riscos ambientais estão no topo das preocupações mas eventos como a crise dos refugiados e os ataques terroristas na Europa colocaram também a instabilidade política global no nível mais alto desde a Guerra Fria. Os líderes empresariais têm agora de considerar um cenário alargado de riscos nas suas estratégias e decisões.

Além de medir a sua probabilidade e impacto potencial, o relatório Global Risks 2016 também estuda as interconexões entre os riscos. Aqui, os dados sugerem uma convergência com um pequeno número de riscos-chave a exercer grande influência. Todos os cinco pares mais interligados de riscos em 2016 representaram mais interconexões do que em 2015. No topo da escala aparecem dois riscos mais interligados – profunda instabilidade social e desemprego estrutural. O conhecimento de tais interligações é importante para ajudar os líderes a priorizar e planear áreas de acção.

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Através da análise das interconexões entre os riscos, o relatório de 2016 também explora três áreas em que os riscos globais têm o potencial de impactar a sociedade: o conceito de “(dis)empowered citizen”, o impacto das alterações climáticas na segurança alimentar, e o potencial das epidemias que ameaçam a coesão social.

Pelo segundo ano, o relatório também fornece dados a nível nacional sobre a forma como as empresas percebem os riscos globais nos seus países. A análise deste ano descobriu padrões entre as economias desenvolvidas e emergentes. O desemprego e sub-emprego aparecem como o risco de maior preocupação para fazer negócios em mais de um quarto das 140 economias, e é especialmente caracterizado como risco de topo em duas regiões, a África Subsaariana e o Médio Oriente e Norte da África. A única região onde o emprego não está entre os cinco primeiros é a América do Norte. O choque de preços de energia é o segundo risco caracterizado nos cinco principais riscos para fazer negócios em 93 economias.

O Global Risk Report2016 foi desenvolvido com o apoio da Strategic Partners Marsh&McLennan Companies e do Grupo Zurich. O relatório também contou com a colaboração da Oxford Martin School (Universidade de Oxford), Universidade Nacional de Singapura, Centro Wharton de Gestão de Risco e Processos de Decisão (Universidade da Pensilvânia), e o Conselho Consultivo do Global RiskReport2016.

 

Maria João Ramos

 

Fonte: http://www.weforum.org/agenda/2016/01/what-are-the-top-global-risks-for-2016