Mercado de carbono (resumo semanal – 04/05/2020)

Consequências da pandemia da Covid-19
A Agência Internacional da Energia (IEA) publicou na semana passada um relatório dos impactos que a Covid-19 está a ter na procura mundial de energia. Segundo este, espera-se que a pandemia de Covid-19 resulte numa queda das emissões anuais de CO2 em cerca de 8%.

A publicação descreve a diminuição na procura de carvão, petróleo e gás como impressionantes, sendo contudo ainda cedo para determinar quais as consequências a longo prazo, e sublinhando que a indústria da energia que surgirá após esta crise será muito diferente do antigo modelo. A IEA estimou, de acordo com dados do início de Abril, que cada mês de quarentena mundial reduza a procura global de energia em 1,5%, esperando-se uma queda anual na procura global de 6%, sendo esta mais acentuada nas economias mais desenvolvidas (9% nos EUA e 11% na UE), muito superior à que se verificou após a crise financeira de 2008.

Da análise de dados recolhidos de cerca de 30 países até 14 de Abril, resultou uma diminuição do consumo de eletricidade de cerca de 20%esperando-se uma queda global de 5% em 2020. Como referido, a diminuição do consumo de eletricidade teve como consequências a diminuição da procura de gás natural e carvão, que acabou também por ser condicionada pela produção de eletricidade a partir de fontes de energia renováveis que têm prioridade de despacho. Face a este panorama prevê-se que o share do carvão e gás natural na geração de eletricidade diminua 3% em 2020. Por outro lado, espera-se que o setor renovável cresça em 2020 e represente cerca de 40% de toda a eletricidade gerada mundialmente.

Recuperação económica da Europa pós pandemia
À semelhança de outras figuras relevantes do panorama político da Europa, também a chanceler alemã Angela Merkel afirmou na semana passada que o Pacto Verde Europeu deverá ser a ferramenta para a recuperação económica da Europa pós pandemia, confirmando o seu apoio no aumento das metas de redução de emissões da UE de 40% para 50% ou mesmo 55% em 2030. A chanceler mencionou ainda que os instrumentos de carbono são uma importante peça para atingir as metas climáticas da Europa, tendo reforçado a necessidade de extensão do CELE a novos setores.

 

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