Mercado de carbono (resumo semanal – 06/07/2020)

O Parlamento Europeu lançou um estudo na semana passada, a pedido do comité da indústria, investigação e energia (ITRE), sobre os desafios e oportunidades da transição energética nas indústrias intensivas em energia, na União Europeia, com o objetivo de explorar como estas podem fazer a transição para uma economia neutra para o clima, mantendo, e idealmente melhorando, a sua competitividade global. Foram usados três ângulos para estudar este objetivo: tecnológico, negócios e financeiro.

Nas indústrias alvo deste estudo as emissões diminuíram cerca de 30% entre o ano 1990 e 2018, mais precisamente o setor do ferro e aço (-41%), seguido do cimento e cal (-30%), químicos (-27%) e as refinarias (-5%). A competitividade numa economia global em descarbonização, para este tipo de indústrias, passa pela sua capacidade de fornecer produtos com emissões drasticamente reduzidas, ainda mais se outros países relevantes prosseguirem estratégias de ambição comparável. Nos capítulos seguintes são explorados as potenciais tecnologias neutras em carbono e os seus custos associados, são revistos os instrumentos financeiros da União Europeia para apoiar a transição para uma economia neutra em carbono e são feitas recomendações às políticas da UE.

O capítulo 3, fornece uma visão concisa das potenciais tecnologias neutras em carbono que poderiam ser aplicadas nas indústrias de alta intensidade energética, como as indústrias do ferro e aço, cimento, refinarias, petroquímica e fertilizantes. Estas tecnologias dividem-se em tecnologias que reduzem a emissão de CO2 dos processos atuais, como a eficiência energética, eletrificação por energias renováveis, energia geotérmica profunda, biomassa, hidrogénio renovável ou com baixo teor de carbono e a captura e armazenamento de carbono, e em novos caminhos de produção com uma menor pegada de CO2, como captura e utilização de carbono, intensificação de processos e economia circular. Por último, é feita uma análise aos custos de energia, em relação ao ano 2017 para os sectores de energia intensiva identificados em relação ao valor da produção (vendas dos produtos) e ao excedente bruto de exploração (como medida de rentabilidade) em que se conclui que atualmente a grande desvantagem das tecnologias estudadas são os custos de capital e operacionais.

O capítulo 4 faz uma revisão dos instrumentos financeiros na União Europeia para incentivar a transição para uma economia neutra em carbono. O principal instrumento político europeu é o CELE, sendo que a fase IV que decorrerá de 2021 a 2030 mostra mais ambição na redução das emissões de CO2 do que a atual. Devido a estas alterações os analistas preveem que os preços possam aumentar devido à crescente escassez de licenças ou que possam diminuir devido ao aumento da produção de energia renovável que permite a disponibilização de mais licenças no mercado, pelo que se prevê um preço entre 15-35 euros até 2030 no final da fase 4. Na Europa, há vários instrumentos de financiamento e investimento disponíveis que podem fornecer capital às indústrias de alta intensidade energética, de maneira a que estas atualizem as suas tecnologias. Estes incluem, entre outros o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (EFSI) e o EFSI 2.0, o programa para a Competitividade das Empresas e das Pequenas e Médias Empresas (COSME), os Fundos Estruturais e de Investimento Europeus (ESIF), o Horizon 2020, o fundo de Transição e o fundo para a Inovação e Modernização.

O último capítulo investiga possíveis roteiros de políticas a seguir e apresenta recomendações de políticas a seguir nas próximas décadas onde se destaca o Acordo Verde Europeu, que estabelece o ambicioso objetivo da União Europeia se tornar o primeiro continente do mundo neutro em termos climáticos até 2050. Para ser possível a concretização dos objetivos ambiciosos da UE são mencionados três instrumentos políticos que podem ser aplicados, para auxiliar na transição para uma economia neutra em carbono, como os instrumentos de regulamentação e normalização, os instrumentos de fixação de preços e os instrumentos de subsídio. Por último, é revelada a possibilidade de serem elaborados também alguns roadmaps políticos e tecnológicos, como o roadmap tecnológico para a indústria, o roadmap de investimento para setores públicos e privados e o roadmap para custos de carbono mais competitivos.

Em conclusão é referido que as indústrias intensivas em energia não mostraram sinais de deterioração da competitividade como resultado dos custos do carbono, nem aumentaram a produtividade energética de forma a absorver o aumento dos preços da energia e do carbono, pelo que os custos relacionados com o clima serão bastante importantes no curto prazo. Também é referido que existem muitas tecnologias disponíveis que podem potencialmente guiar as indústrias europeias de elevada intensidade energética no sentido da neutralidade carbónica, sendo o seu maior problema os custos associados. Por último, são feitas algumas recomendações políticas, uma vez que os presentes instrumentos não estão ainda à altura da tarefa de orientar a transição para uma economia de baixo teor em carbono.

 

 

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