Mercado de carbono (resumo semanal – 15/06/2020)

Indústria de refinação europeia não espera um regresso ao business as usual
A Associação Europeia da Indústria de Refinação de Petróleo traçou um plano para descarbonizar o setor dos transportes até 2050. Segundo a associação, com a crise climática e a pandemia da covid-19 toda a indústria dos combustíveis irá sofrer alterações sendo impossível um regresso ao business as usual.

Espera-se que em 2050 a maioria dos automóveis sejam elétricos provocando uma queda na procura por combustíveis fosseis que poderá ser de um terço a metade da procura atual. É ainda esperado que os combustíveis utilizados na aviação, no transporte marítimo e em transportes rodoviários pesados sejam substituídos por outros com menor teor em carbono como biocombustíveis de terceira geração e hidrogénio verde.

Pandemia acentua crise nos mercados de gás natural
De acordo com a Agência Internacional da Energia (AIE), a combinação da pandemia da covid-19 com o inverno excecionalmente ameno no hemisfério norte provocou uma queda histórica na procura de gás natural. É esperada para 2020 uma redução de 4% na procura deste recurso, o dobro da verificada na crise financeira de 2008 e a maior de sempre.

O gás natural sofreu impactos menos severos que o petróleo e o carvão mas está longe de estar imune a variações na procura. A queda histórica verificada este ano representou uma mudança dramática de circunstâncias para uma indústria que estava habituada a verificar fortes aumentos na procura. Ainda assim, de acordo com a agência, espera-se uma recuperação gradual nos próximos dois anos não significando que se voltará rapidamente à trajetória pré-pandemia.

Emissões de CO2 aumentam na pós-quarentena
De acordo com a atualização de um estudo publicado pela Nature Climate Change, as emissões globais de GEE, comparativamente com a média de 2019, caíram cerca de 25% durante o período mais significativo da quarenta. Em inícios de abril o valor já era de 17% e no início de junho as emissões globais de GEE estavam cerca de 5% abaixo da média anual de 2019. Apesar de ainda não terem atingido ao níveis de 2019, as emissões de COestão a aumentar a uma taxa elevada à medida que o desconfinamento avança, criando o receio de que se possam ultrapassar os valores pré-crise. Uma das razões para este aumento poderá ser a maior taxa de utilização de veículo próprio em vez de transportes públicos, devido à maior preocupação com as questões da saúde. Também a entrada em funcionamento do setor industrial terá contribuído para esta evolução.

Entre 1 de janeiro a 11 de junho estima-se que as emissões tenham sido 8,6% mais baixas que em período homólogo de 2019 e as emissões para o ano inteiro prevêem-se ser 4-7% mais baixas que em 2019. De notar que esta redução fica aquém do valor necessário para cumprir as metas do Acordo de Paris, 7,6% anualmente entre 2020 e 2030.

O modo como os governos planeiam a saída da crise será a chave para tornar algumas das reduções de GEE permanentes utilizando, por exemplo, os seus pacotes financeiros para gerar uma mudança para investimentos mais verdes.

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