Mercado de carbono (resumo semanal – 20/07/2020)

Preço das licenças de emissão de CO2 atingem valores históricos
Na passada segunda-feira, o preço das licenças de emissão ultrapassou os 30 euros por tonelada pela primeira vez desde 2006. Os preços das EUAs têm vindo a sofrer um aumento constante nos últimos dois anos na sequência das políticas destinadas a reduzir o número de licenças de emissão gratuitas.
Com a crise do coronavírus, o preço das licenças de emissão foi de cerca de 24 euros por tonelada, e quando as medidas de confinamento começaram a ser aplicadas em toda a Europa, no mês de Março, para combater o surto da COVID-19, os preços caíram drasticamente à medida que a utilização de energia das fábricas e empresas diminuíram, levando assim a uma redução das emissões e da procura de licenças de emissão de carbono.
A Comissão Europeia estabeleceu planos para um pacote de recuperação económica de 750 mil milhões de euros, com foco principal na promoção das suas ambições de se tornar o primeiro continente neutro em carbono até 2050. Muitos analistas acreditam que os traders do CELE estão a antecipar políticas climáticas mais rigorosas e assim a aumentar a procura de EUAs. Os investidores têm procurado licenças de emissão de CO2 nas últimas semanas e meses, na expectativa de que os preços futuros possam vir a subir ainda mais.

A eliminação progressiva do carvão em Portugal antecipa-se em dois anos
Na segunda-feira passada, a EDP, anunciou o encerramento da sua central a carvão de Sines, antecipando em dois anos o encerramento previsto das centrais eléctricas a carvão,de 2023 para 2021. Esta decisão faz parte da estratégia de descarbonização da empresa e foi tomada no contexto em que a produção de energia do país está cada vez mais dependente de fontes renováveis.
A empresa acrescentou, que a queda do custo das energias renováveis, juntamente com o aumento do custo das licenças de emissão de CO2, significa que as perspectivas de viabilidade das centrais a carvão diminuíram drasticamente.
Kathrin Gutmann, diretora da Campanha ” Europe Beyond Coal”, disse que Portugal já tinha acelerado a sua eliminação do uso de carvão de 2030 para 2023. O facto de estar novamente a antecipar para 2021 mostra a rapidez com que um país pode limpar o seu sistema energético quando se compromete com a energia limpa e a ação climática.

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