Mercado de carbono (resumo semanal – 23/03/2020)

Covid-19 continua a condicionar preços das EUAs
A propagação da Covid-19 continua a afetar as bolsas e também o preço das licenças de carbono. Na quarta-feira passada o mercado atingiu o valor mais baixo desde Julho de 2018, e no espaço de uma semana o preço das licenças caiu cerca de 17%. Alguns analistas apontam que esta diminuição se deve à venda de licenças em mercado por parte de algumas empresas que assim aproveitam para aumentar a sua liquidez pois estimam que a sua atividade industrial vai diminuir em 2020.

Coronavírus com efeitos nas emissões de GEE
A Agência Internacional de Energia estima que, pela primeira vez desde 2009, se comercializem menos 90.000 barris de petróleo em relação ao ano passado, devido à Covid-19. Complementando a queda de vendas de petróleo com o forte abrandamento do consumo de carvão na China, estima-se que as emissões de CO2 se possam reduzir em 7% este ano, um valor perto do estimado (redução de 7,6%) pelo relatório da UNEP “Emissons Gap Report 2019” como necessário para atingir as metas de 1,5ºC da subida da temperatura prevista no Acordo de Paris.

Queda de emissões de CO2 na Alemanha
A  procura de energia na Alemanha está a diminuir devido ao abrandamento da atividade industrial. Espera-se que o abrandamento do setor industrial devido ao novo coronavírus possa significar que o país emita menos 50 a 120 milhões de toneladas de CO2 este ano, numa estimativa que também inclui os setores dos transportes, edifícios e agricultura.

Relatório sobre Estado Global do Clima em 2019
Foi lançado no passado dia 10 de março pela Organização Meteorológica Mundial o relatório do Estado Global do Clima em 2019. O relatório reporta os últimos dados científicos disponíveis e as necessidades para uma ação climática mais rápida e abrangente sublinhando o janeiro mais quente desde que existem registos, o inverno anormalmente ameno em muitas regiões do hemisfério norte, as temperaturas anormalmente elevadas na Antártica que provocam o derretimento dos glaciares fazendo subir o nível dos oceanos, e o aumento das concentrações de CO2 na atmosfera devido aos incêndios na Austrália, evidenciando que em 2019 houve um aumento de temperatura de 1,1ºC relativamente aos níveis pré-industriais.

 

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