Mercado de carbono (resumo semanal – 23/09/2019)

Durante o dia de hoje ocorre em Nova Iorque a Cimeira da Ação Climática organizada pelas Nações Unidas. Representantes de governos, empresas e sociedade civil anunciam hoje os seus passos para responder aos desafios das alterações climáticas. Esta cimeira pretende fomentar a ação climática e o impacto global, combatendo a inércia. Marcelo Rebelo de Sousa deverá apresentar pelas 17:30 na hora portuguesa os compromissos nacionais, tendo já antecipado que defende que Portugal “está a dar um exemplo com o seu roteiro” para a descarbonização.

Na sexta passada cerca de 4 milhões participaram a nível mundial na greve climática, sendo provavelmente o maior protesto climático até à data. Greta Thunberg, que ajudou a organizar esse dia, reforçou uma vez mais em Nova Iorque a urgência do problema.

A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que o aumento da capacidade da produção de energia renovável cresça cerca de 12% este ano, ao ritmo mais acelerado desde 2015, atingindo quase 200 GW. Recorde-se que o ano passado foi o primeiro ano desde 2001 que o crescimento da capacidade de energia renovável não acelerou, devido em grande parte a alterações das políticas do governo chinês.

De acordo com o Carbon Market Watch, enquanto as centrais a carvão vão encerrando por toda a Europa, as licenças de emissão no âmbito do Comércio Europeu de Licenças de Emissão vão acumulando, o que poderá criar uma “bolha de carbono”. Este fenómeno poderá provocar uma descida substantiva do preço do carbono. Cerca de 2,22 mil milhões de licenças estarão disponíveis no mercado em 2030, em resultado da desativação das centrais a carvão. Mais de metade espera-se que tenham origem na Alemanha, que assumiu o compromisso de abandonar as centrais a carvão até 2038. De qualquer forma, existe um mecanismo previsto na Diretiva CELE, segundo o qual  os países podem a título voluntário optar por cancelar as licenças associadas à produção de electricidade por centrais a carvão que sejam fechadas.

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