Mercado de carbono (resumo semanal – 29/06/2020)

Transição para UE mais limpa e resiliente
De acordo com o relatório European Union 2020- Energy Policy Review publicado pela Agência Internacional da Energia (AIE), a UE está a enfrentar uma recessão económica de cerca de 7-10% com consequências no setor energético, que verificou uma queda na procura e fornecimento de energia. Para o ano de 2020, é esperado que a procura por energia na UE fique abaixo dos níveis de 2019 em cerca de 10%. Já as emissões da UE no primeiro quarto de 2020, deverão ser 8% mais baixas que em igual período do ano passado.

A Agência destaca que UE reduziu as suas emissões de GEE em 23% entre 1990 e 2020 cumprindo assim a meta de redução de 20% a que se tinha proposto. Essa evolução deve-se principalmente à transição do sistema electroprodutor para tecnologias mais limpas, baixando a intensidade carbónica do setor, que é já a mais baixa do mundo. De referir ainda que outros setores como o dos transportes e edifícios mantêm-se bastante intensivos em carbono.

A AIE refere que serão necessárias políticas mais fortes para atingir as metas a que a UE se propõe em termos de redução de emissões de GEE sendo o setor da energia o que merece mais atenção por ser o que representa cerca de 75% das emissões da UE.

Investimentos em renováveis  mais baratos que combustíveis fosseis
De acordo com a Agência Internacional das Energias Renováveis (IRENA), depois de uma análise a mais de 17.000 projetos renováveis e 10.000 acordos assinados em 2019, chegou-se à conclusão que cerca de metade dos projetos solares e eólicos de 2019 foram mais baratos que os investimentos em tecnologias fosseis.

De acordo com a Agência, os preços da energia renovável nos leilões continua a cair a pique tendo-se verificado, entre 2010 e 2019, quedas significativas nos preços de investimentos renováveis (82% em tecnologias fotovoltaicas, 39% em eólica onshore, 29% em eólica offshore e 47% em solar de concentração).

Relativamente aos investimentos em combustíveis fosseis, estes caíram cerca de 30% durante a pandemia, sendo esperado uma recuperação à medida que as medidas de restrição são retiradas.

China ultrapassa níveis de emissões de 2019
Depois de ter verificado quedas na emissão de GEE de 25% nas seis semanas que sucederam o confinamento, a China já ultrapassou em maio de 2020 o nível de emissões registados em igual período de 2019. Esta evolução deveu-se principalmente aos setores do cimento e outras indústrias pesadas assim como da produção elétrica a partir do carvão.

Os dados mais recentes revelam que as emissões do ano de 2020 continuam 6% abaixo dos valores de 2019. O país decidiu reduzir os sues objetivos de PIB para este ano pelo que se torna uma incógnita a trajetória das emissões.

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