Papa Xico – do Congresso Americano à Cimeira da ONU (Mariana Sardinha e Mª João Ramos)

O dia 24 de Setembro de 2015 fica na história por ter sido a primeira vez que um Papa discursou perante o Congresso dos Estados Unidos.

No seu discurso foram vários os temas abordados: a xenofobia e o pedido aos americanos para abrirem os seus corações a novas gerações de imigrantes relembrando a regra de ouro: “façam aos outros o que gostariam que vos fizessem a vocês”, o aborto, o fabrico de armas, o abuso sexual, a pena de morte e as alterações climáticas. Em relação a este último tema o Papa Francisco reafirmou o papel importante que os congressistas devem desempenhar na resposta à degradação do ambiente, degradação essa causada pelos humanos, e esta foi uma das frases com maior carga política visto que a maioria dos republicanos no Congresso têm desafiado o consenso cientifico sobre as alterações climáticas e as suas causas. Mais uma vez o Papa relembrou o que já tinha escrito na sua encíclica, que as alterações climáticas são uma grave ameaça para a humanidade e que a eliminação gradual dos combustíveis fósseis é um imperativo moral. “Somos nós que temos de criar formas inteligentes de desenvolvimento e limitar o nosso poder colocando a tecnologia ao serviço de outro tipo de progresso, um que seja mais saudável, mais humano, mais social e mais integrador.”

Também pela primeira vez, o Papa Francisco discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, numa altura em que se celebram os 70 anos desta organização. Este discurso foi feito no âmbito da Cimeira das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável onde os países pertencentes a esta organização adotaram o documento “Como Transformar o Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, que inclui 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, que, em linhas gerais, visam acabar com a pobreza extrema, combater a injustiça e a desigualdade e agir perante as alterações climáticas nos próximos 15 anos.

Como se esperava, o Papa deu novamente uma grande importância à questão da preservação do ambiente, dizendo mesmo que está confiante de que a Cimeira do Clima de dezembro em Paris (COP21) vai ser um sucesso para se firmar um novo acordo mundial que imponha metas de redução das emissões antropogénicas de gases com efeito de estufa aos países, e enviou um recado aos líderes dos países da ONU: “compromissos solenes não são suficientes, mesmo que sejam um passo necessário para encontrar soluções”.

Paralelamente à visita papal, o Presidente Chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos fizeram comunicado conjunto na sexta-feira passada, onde, para além de afirmarem que estão a trabalhar juntos e com empenho em conseguir um ambicioso acordo climático em Paris, a China anunciou que irá implementar um mercado de carbono a nível nacional a começar em 2017 que se prevê ser o maior do mundo quando estiver completamente implementado. Para os mais desatentos lembramos que a China lançou o seu primeiro sistema piloto na cidade de Shenzhen em 2013, e desde então já lançou mais 6 pilotos em diferentes regiões e cidade chinesas.

Em suma, esta foi uma boa semana para os assuntos climáticos: o maior representante da igreja católica está alinhado com o presidente da maior economia mundial e com o presidente da nação mais poluidora do mundo. Que venha Paris!

 

Mariana Sardinha – Analyst

Maria João Ramos – Consultora

 

Fonte da fotografia:http://time.com/4048075/pope-francis-us-visit-speech-congress/