Renováveis, recordes e empregos (Mariana Sardinha)

Aproximadamente de 4 em 4 anos as políticas energéticas dos países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) são analisadas por uma equipa de especialistas. Depois da última análise feita em 2009 (com dados relativos a 2004), foi lançada em abril uma nova edição sobre Portugal: “Energy Policies of IEA Countries, Portugal 2016 Review”.

A edição de 2016 está dividida em duas partes: a primeira faz uma análise sobre as políticas do país em matéria de energia, alterações climáticas e eficiência energética e a segunda apresenta uma análise setorial das energias renováveis, eletricidade e combustíveis fósseis.

Em dez anos (2004 vs 2014) a utilização de petróleo e carvão diminuiu cerca de 35,3% no que se refere à oferta total de energia primária, enquanto o consumo de gás natural aumentou 5%. As importações de petróleo e produtos de derivados diminuíram 32,7% relativamente a 2004. As fontes de energia renováveis foram responsáveis por 25,4% da oferta de energia primária em 2014. O consumo de combustíveis fósseis está dentro da média dos países que fazem parte da AIE, tendo sido o valor relativo à produção de energia eólica (que aumentou 14 vezes desde a última análise) o segundo maior no conjunto destes países, depois da Dinamarca.

Relativamente aos valores apresentados há 7 anos pela AIE houve um grande aumento da produção de energia elétrica a partir de renováveis: se na edição de 2009 as renováveis foram responsáveis por 33% da produção, na edição deste ano podemos verificar que este valor subiu para cerca de 67%. A distribuição da produção de energia elétrica por fonte foi repartida da seguinte forma: hídrica 30%; eólica 23,3%; carvão 23%; gás natural 12,5%; biocombustíveis e resíduos 6,4%; petróleo e seus derivados 3,2%; solar 1,2%; geotérmica 0,4%, num total de 52 TWh (5,6 MWh per capita).

Recentemente, em vários noticiários nacionais e internacionais, Portugal foi notícia a propósito dos quatro dias consecutivos (7 a 11 de maio) que esteve a consumir apenas eletricidade a partir de fontes de energias renováveis.

Segundo o relatório da AIE, a ligação das redes elétricas entre a Península Ibérica e o resto da Europa representa apenas 2,4% da capacidade total instalada (2,8 GW), esperando-se que sofra um reforço nos próximos anos e que em 2020 atinja 4,1% (4,9 GW). Este facto vai permitir que a Península Ibérica possa exportar mais energia para o resto da Europa e que, consequentemente, Portugal possa aumentar ainda mais o seu share de produção renovável. O investimento na interligação transfronteiriça vai ser feito através de financiamento europeu e é visto como um projeto importante no que respeita às metas europeias contra as alterações climáticas.

Mas as boas notícias nas renováveis não ficam por aqui e exemplo disso é o recente estudo da Agência Internacional para as Energias Renováveis “Renewable Energy and Jobs – Annual Review 2016” que estima que o setor das renováveis emprega cerca de 8,1 milhões de pessoas em todo o mundo, uma tendência que tem sido de subida. O solar fotovoltaico é o setor onde se estima que existe maior número de empregos (2,8 milhões), um aumento de 11% relativamente a 2015. O top 3 de países com maior número de trabalhadores no setor das renováveis é composto pela China, Brasil e Estados Unidos.

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Temos futuro!

 

Mariana Sardinha

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