Sustentabilidade como sobrevivência, como pressuposto e como objetivo (Paula Guimarães, Presidente do GRACE)

Vivemos tempos conturbados no plano social, económico e político e a agenda das urgências e dos conflitos emergentes retira-nos a perspetiva abrangente de longo prazo, que não devíamos perder de vista.

É por isso fundamental procedermos a uma análise e a uma reflexão profunda sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Uma agenda ambiciosa, com 17 desafios que temos coletivamente que realizar, para bem da Humanidade.

É certo que as últimas décadas permitiram aquisições importantes e uma evolução consolidada nos domínios da ciência e da tecnologia e que, globalmente temos hoje melhor saúde, melhor educação, mais conhecimento, mais mobilidade, mais qualidade de vida.

Porém, esta melhoria das condições de vida não foi universalmente distribuída. O fosso entre os que têm acesso aos benefícios dessa evolução e aqueles que ficam pelo caminho é evidente e compromete a coesão social, a paz e o planeta.

Nunca é demais salientar que, das 17 metas estabelecidas pela ONU e aprovadas por unanimidade por 193 Estados-membros, 9 dizem respeito a Direitos Fundamentais que continuam a ser violados em pleno século XXI, com o beneplácito e a cumplicidade de toda a comunidade internacional.

As restantes metas centram o seu foco de ação no ambiente, dimensão igualmente fundamental. Neste domínio este é o momento do tudo ou nada, face ao percurso de adiamento sucessivo, de autismo das estruturas de decisão, de incapacidade de estabelecer consensos e objetivos comuns.

Perante a evidência das alterações climáticas e das suas consequências ao nível da sobrevivência do planeta, da preservação das espécies e do modo de vida das populações, é imperativo mudarmos a forma de olhar para a Natureza como uma fonte inesgotável de recursos. É imperativo mudarmos os alicerces sobre os quais construímos as nossas sociedades.

As recentes cimeiras dedicadas ao Clima, o Acordo de Paris e todos os movimentos que nos interpelam para promovermos uma mudança estrutural nas nossas organizações, são a última hipótese de salvação deste Planeta, da nossa casa comum.

Para o GRACE, a sustentabilidade é o lema que é preciso divulgar junto dos líderes, dos decisores políticos, dos gestores das empresas e da sociedade civil. Sustentabilidade como sobrevivência, como pressuposto e como objetivo. Sustentabilidade que significa agir com sabedoria, gerindo os recursos com parcimónia, com os olhos postos no futuro e a pensar nas gerações vindouras.

Tal como dizem os índios americanos, a “Natureza não é para nós, é parte de nós”.

 

Paula Guimarães

Presidente do GRACE em representação da Fundação Montepio